Revisado: 06/05/2000

 

Módulo 17

 

   

 

Câmeras:
Princípios Básicos  


Parte II

 


Resolução da cor

Até agora a resolução de que estamos falando se baseia na definição do componente branco e preto (luminância) da imagem de TV. As primeiras experiências com a televisão colorida mostraram que o olho humano percebe detalhes fundamentalmente em termos de diferenças de brilho (luminância) e não em termos de informação de cor.

Quando o sistema NTSC de televisão a cores foi desenvolvido, criou-se um sistema engenhoso e altamente complexo para agregar um sinal de de cor, de baixa resolução, ao sinal de branco e preto existente. Utilizando este sistema, a informação de cor pode ser agregada ao sinal monocromático sem exigir uma grande expansão na capacidade de transporte de informação do sinal de luminância original.


Nível Mínimo de Luz

As câmeras de televisão requerem um certo nivel de luz (exposição do target) para produzir um sinal de vídeo de boa qualidade. Este nível de luz é medido em foot-candle ou lux. Um foot-candle, que é a medida da intensidade da luz produzida por uma vela à distância de um pé (1 foot) - sob condições muito específicas. O footcandle é a unidade de medidade de intensidade de luz usada nos Estados Unidos. Os países que usam o sistema métrico, utilizam o lux como unidade básica. A origem do termo "lux" não é conhecida, supõe-se que seja referente à lumens (uma medida de luz) multiplicado por dez.

Já que vamos falar bastante de lux e foot-candles nos próximos módulos, vale a pena saber que 1 foot-candle é equivalente a 10 lux.

Apesar de serem capazes de produzir imagens aceitáveis em condiciões de pouca luz, a maioria das câmeras de vídeo profissionais requerem um nível de luz de 150 a 200 foot-candles (cerca de 2.000 lux) para produzir uma imagem de ótima qualidade.

Embora os anúncios publicitários se gabem de que uma determinada câmera é capaz de gravar em condições de 1 lux ou menos de luz, a questão é: "Que tipo de imagem?"

A luz de uma lâmpada de 60 watts a 3 metros de distância (10 pés) equivale a 10 lux. Se você já gravou alguém utilizando esta iluminação com uma câmera de vídeo caseira, sabe que não se pode esperar muito da qualidade do vídeo; e este nível é dez vezes maior que o nível mínimo de luz necessário anunciado pelos fabricantes de câmeras.

Apesar de nos Estados Unidos vigorar o padrão EIA - que especifica padrões de qualidade mínimos para níveis de luz, a aceitação deste padrão não é mandatória. Os fabricantes sabem que o público quer câmeras que gravem em condições de pouca luz, por isso eles se recusam a usar o padrão EIA e com isso fazer parecer que o seu produto é inferior ao do concorrente que não utiliza o padrão.

É suficiente dizer que se você não ver especificado o padrão EIA é melhor verificar a veracidade das informações sobre o nível de luz do produto. Quando o nível de luz é baixo a íris da câmera tem de estar bem aberta ( no número de f-stop mais baixo) para permitir a entrada do máximo de luz. À medida que o nível de luz aumenta na cena, a íris da lente tem de ser ajustada para um número maior de f-stop para manter o mesmo nível de exposição no target da câmera. Se isto não for feiro a imagem parecerá lavada, como já vimos , e os altos níveis eletrônicos irão causar problemas técnicos.

Em condições de pouca luz, o vídeo se apresentará escuro e completamente sem detalhes nas áreas de sombra. Para compensar isto, as câmeras profissionais possuem um seletor de video gain com várias posições que pode amplificar o sinal de vídeo de 3 até 28 unidades (decibéis ou dB).

Algumas câmeras profissionais podem produzir imagens de vídeo aceitável com menos de meio lux, que é o equivalente ao nível de luz de um quarto com uma iluminação fraca. Porém, quanto maior o ganho, maior a perda de qualidade da imagem. Mais específicamente, o ruído de vídeo aumenta e a claridade da cor diminui.  


Módulos de Visão Noturna

Existem módulos de visão noturna para possibilitar a gravação de vídeo em situações onde não exista quase nenhuma luz; eles utilizam multiplicadores de luz eletrônicos para amplificar a luz que passa através da lente. O mais refinado destes amplificadores de luz é capaz de produzir imagens claras e definidas à noite usando apenas a luz das estrelas (um nível de luz de cerca de 1/100000 lux). Em condições de "nenhuma luz", a maioria destes módulos emitem sua própria iluminação infra-vermelha invível, que logo se traduz em imagem visível.

Mais recentemente os cinegrafistas de noticiários tem utilizado estes dispositivos na produção de reportagens noturnas onde qualquer tipo de luz artificial que chame atenção sobre a câmera e possa comprometer a cobertura da estória.

   

Suportes e Movimentos de Câmera

Utilizar um tripé para apoiar a câmera pode fazer a grande diferença entre um vídeo com aparência profissional e outro que grita TRABALHO DE AMADOR! Embora o tripé seja mais um peso para carregar e exija uma certa paciência para o seu posicionamento correto, os resultados compensam.

As únicas situações onde sejustifica a não utilização de um tripé são as matérias de telejornal e na cobertura de esportes que requerem grande mobilidade para seguir a ação e tomadas subjetivas para simular o que um personagem está vendo. Por exemplo uma pessoa esta sendo perseguida e queremos mostrar a acão do ponto de vista do perseguidor.

 

 

 

 

 

Na maioria dos tripés a cabeça de pan e tilt (que fixa a câmera no tripé) não é projetado para realizar movimentos suaves de pan e tilt durante a gravação - mas apenas para reposicionar e prender a câmera entre as tomadas. E já que um corte de uma cena para outra é geralmente melhor do que uma transição que utiliza movimentos de câmera - pan, tilt e zoom, não chega a ser tão mal assim.

Paralelamente existem tripés com cabeças especialmente projetadas para realizar movimentos de câmera suavemente. O tipo mais utilizado é a cabeça fluida que adiciona uma resistência uniforme aos movimentos de pan e tilt - uma resistência calculada para suavizar o processo.

As câmeras de estúdio são montadas em um pedestal com dolly

 

 

(como mostra a figura) de forma que ela pode deslizar no chão do estúdio. A câmera é fixada diretamente em uma pan head (cabeça de pan) de forma que os movimentos horizontais - pans - e verticais - tilts - possam ser ajustados Os controles na pan head permitem que a câmera fique fixa numa determinada posição, se movimente livremente e permitem a regulagem da resistência para possibilitar movimentos suaves rápidos ou mais lentos.

O grande anel embaixo da pan head (no centro do pedestal) é utilizado para três coisas: guiar as três rodinhas na base do pedestal, ajustar a altura da câmera e para fixar a câmera evitando o movimento vertical. Os controles de foco e zoom são acessíveis nas alavancas da esquerda e da direita respectivamente.

Um suporte mais simples do que o grande pedestal de stúdio mostrado acima é a dolly desmontável na figura à direita. Elas são usadas em produções fora do estúdio.

Ao contrário dos elaborados pedestais de estúdio que podem deslizar no chão do estúdio -- mesmo com a câmera no ar -- as rodinhas nas doles pequenas tem como objetivo principal facilitar o transporte da câmera entre as tomadas.
 

Grua

Um dispositivo que foi utilizado na última década foi a grua, que é essencialcmente um boom longo, fácil de manobrar ou uma máquina semelhante a um guindaste com uma câmera na ponta.

A grua possibilita movimentos de câmera verticais do nível do chão até 9 metros ou mais. Vamos ver mais sobre a utilização de gruas com amsi detalhes posteriormente.

Para trabalhos de câmera fora do estúdio existem suportes de mão que permitem uma ampla mobilidade e tomadas bastante estáveis. O mais famoso deles é o Steadicam utilizado com câmeras de cinema e câmeras de vídeo grandes. Além de ser caro, o Steadicam é pesado e requer um operador experiente.

Para câmeras pequenas, tal como esta aqui existe o Steadicam Junior que possibilita movimentos de câmera suaves por um custo e um peso muito menor do que a do seu irmão maior. O visor independente possibilita que o Steadicam Junior se mantenha afastado do corpo e evitar golpes indesejáveis.

Com um pouco de prática o operador pode caminhar, correr ou até subir escadas enquanto mantem a câmera razoavelmente estável. Um bom exercício é caminhar com uma xícara cheia de café na mão. Se você chegar ao ponto de ser capaz de se movimentar sem derrubar o café, você provavelmente será capaz de fazer um bom trabalho com um Steadicam Junior.
 

Movimentos de Câmera Básicos

No módulo 6 nós aprendemos os movimentos de câmera básicos.Você deve se lembrar que quando a câmera se aproxima ou se afasta (deslizando) de um objeto, ela está executando um movimento de dolly ("dolly in" para uma tomada mais fechada e "dolly out" para uma tomada mais aberta.

O movimento lateral (deslizar a câmera no pedestal para a esquerda ou para a direita) é chamado de "truck" ou travelling como em "travelling para a esquerda"ou "travelling para a direita".

E finalmente que o zoom é um movimento óptico que se parece com o "dolly", sem ser necessário que se movimente a câmera inteira.


Voltar ao Índice             Próximo módulo